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Grande estudo internacional testa uso da cloroquina para prevenção da Covid-19

Pesquisadores britânicos deram início ao maior estudo internacional em curso sobre a eficácia do uso da cloroquina e hidroxicloroquina na prevenção da Covid-19. A partir desta quinta-feira (21), enfermeiros e médicos de Oxford e Brighton que trabalham diretamente com pacientes infectados poderão se voluntariar para a pesquisa, que pretende recrutar mais de 40 mil participantes na Europa, Ásia e África.

A pesquisa busca verificar se a cloroquina e a hidroxicloroquina oferecem proteção contra a Covid-19, ou seja, vai verificar a ação profilática dos medicamentos, diferente de outros estudos amplos já realizados sobre o uso das substâncias no tratamento da doença.

Os dois medicamentos, usados no tratamento da malária e lúpus, ganharam repercussão internacional depois que o presidente americano, Donald Trump, passou a defender o uso das substâncias no tratamento do coronavírus. Nesta semana ele disse que está tomando hidroxicloroquina como forma de se prevenir contra o coronavírus. Os órgãos reguladores americanos autorizaram o uso emergencial da hidroxicloroquina em pacientes com coronavírus, mas o FDA (Food and Drug Administration) alertou contra a administração da droga fora de ambientes controlados devido ao risco de causar problemas cardíacos.

O presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, também é um ferrenho defensor da aplicação do medicamento para o tratamento da Covid-19 e as divergências de entendimento sobre seu uso foram fundamentais para a demissão dos dois últimos ministros da Saúde, os médicos Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich. O Ministério da Saúde divulgou, nesta quarta-feira (20), um novo protocolo para uso da cloroquina no Brasil, permitindo que o medicamento possa ser recomendado para pacientes nos estágios iniciais da infecção por coronavírus, e em dosagens mais baixas.

A promoção desses medicamentos por lideranças mundiais, a falta de estudos consolidados sobre a ação das substâncias contra o coronavírus e a ausência de tratamentos para a Covid-19 tornam a pesquisa britânica bastante relevante.

Neste momento, “realmente não sabemos se a cloroquina ou a hidroxicloroquina são benéficas ou prejudiciais contra a Covid-19”, disse Nicholas White, professor da Universidade de Oxford e um dos líderes da pesquisa. Porém, um estudo profilático controlado e randomizado como o que está sendo desenvolvido será a “melhor maneira de descobrir” se elas podem prevenir a doença.

Dois estudos observacionais robustos sobre o uso da cloroquina e hidroxicloroquina no tratamento da Covid-19, revisados por pares e publicados em revistas reconhecidas, demonstraram que as substâncias não têm efeito benéfico no tratamento contra o novo coronavírus. Porém, estudos observacionais, diferentemente dos estudos randomizados e controlados, não devem ser usados para descartar “benefício ou dano” do tratamento.

Como serão os testes?

Os testes serão conduzidos pela Universidade de Oxford, em parceria com a unidade de pesquisa em medicina tropical Mahidol Oxford (Moru) em Bangkok. Cientistas do Vietnã, Laos, Camboja e Itália também estão envolvidos.

Os voluntários serão profissionais da saúde e equipes que têm contato direto com os pacientes com Covid-19, mas que não estão contaminados com o vírus. Ele serão divididos aleatoriamente em dois grupos: um que receberá a hidroxicloroquina ou cloroquina; e outro que receberá um placebo. Para que as avaliações sejam imparciais, nem a equipe local do estudo nem o participante saberão quem está tomando o medicamento ou o placebo.

Os participantes vão tomar os comprimidos todos os dias por um período de três meses e serão acompanhados regularmente para verificar se a substância é tolerada, se eles contraíram o vírus e, sendo este o caso, se desenvolvem sintomas mais graves ou leves da doença. Segundo os pesquisadores, se um participante desenvolver Covid-19, ele será tratado de acordo com as diretrizes de tratamento em seu estabelecimento de saúde.

Duas vezes por dia, os participantes deverão verificar suas temperaturas corporais e registrá-las em um aplicativo que será instalado em seus celulares, onde também vão ter que dizer como estão se sentindo fisicamente. A cada 30 dias eles serão avaliados pessoalmente e amostras de sangue serão coletadas.

Os resultados preliminares do estudo estarão disponíveis até o final de 2020.

Os responsáveis pelo estudo explicam que a hidroxicloroquina e a cloroquina são medicamentos bem estabelecidos e apresentam um excelente histórico de segurança, sendo geralmente bem tolerados.

Os efeitos colaterais são geralmente leves e incluem dores de estômago e náusea, dor de cabeça e visão turva temporária. Se uma dose muito alta for tomada, esses medicamentos podem ser perigosos ou até causar a morte. Eles podem causar toxicidade aos olhos e músculos se tomados regularmente por anos, mas isso não ocorre com o uso a curto prazo, como nos três meses em que os participantes do estudo receberão as drogas.

Sobre os efeito colaterais para o coração, os cientistas responsáveis pelo estudo alegam que o uso de hidroxicloroquina e a cloroquina por pessoas saudáveis não deve trazer preocupações com cardiotoxicidade. Pessoas com distúrbio do ritmo cardíaco não poderão participar do estudo.

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Fonte: Gazeta do Povo