Projeto de recuperação de nascentes melhora qualidade da água em Ivaiporã

Com apoio da Sanepar, programa da Prefeitura de Ivaiporã remunera proprietários rurais e provoca aumento na vazão do Rio Pindaúva.

Márcio, o secretário Jayme Ayres, o produtor Virgilino e o gerente regional da Sérgio Bahls

Márcio, o secretário Jayme Ayres, o produtor Virgilino e o gerente regional da Sérgio Bahls

Com a recuperação e a preservação de 117 nascentes de água na Bacia do Rio Pindaúva, já houve um aumento de 7 milhões de litros por dia na vazão do manancial, que abastece o município de Ivaiporã. O trabalho de preservação de nascentes e matas ciliares faz parte do programa Cultivando Água Limpa, que vem sendo desenvolvido desde 2015 pelo Departamento de Meio Ambiente da Prefeitura de Ivaiporã, com apoio da Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar).

Os principais parceiros são os proprietários das áreas rurais que recebem orientação técnica do Departamento e são até remunerados pelo trabalho de preservação. As 117 nascentes ficam em 80 propriedades. Em dezembro, os agricultores receberam em média R$ 1,2 mil cada um. Os recursos vêm do Fundo Municipal do Meio Ambiente, que recebe mensalmente 2% do faturamento da Sanepar na cidade. O pagamento aos produtores é feito uma vez por ano e é uma compensação pelas atividades desenvolvidas. “O valor varia de acordo com o cumprimento de uma planilha de requisitos”, explica o secretário municipal de Meio Ambiente, Jayme Ayres.

De acordo com o projeto, assim que é identificada a nascente, a Prefeitura faz a recuperação do local, elimina fatores de sujeira e degradação, faz o cercamento para impedir o acesso de animais domésticos e precisa, também, fazer o plantio de mata ciliar. “Agora, vamos entrar na fase da conscientização ambiental, em que os estudantes vão poder visitar as áreas recuperadas”, afirma Ayres.

Nesta semana, o secretário acompanhou o gerente geral da Sanepar na Região Nordeste, Sérgio Bahls, a uma visita a algumas propriedades onde já é feito o trabalho de recuperação. “É um projeto exemplar, que mostra que é possível preservar o meio ambiente. Nosso futuro pode ser melhor com mais recursos hídricos. A grande prova é Ivaiporã, que tem um modelo que pode ser seguido por todo o Brasil”, disse.

Água mais limpa

Uma das oito nascentes recuperadas na propriedade de Virgilino Hessmann

Uma das oito nascentes recuperadas na propriedade de Virgilino Hessmann

Como diz o nome do projeto, a preservação das nascentes tem garantido que a água utilizada para abastecimento público chegue mais limpa à estação de tratamento da cidade. Isso representa uma economia no uso de produtos químicos no processo de tratamento. Para se ter uma ideia, em 2015, a estação de tratamento de água de Ivaiporã utilizou, durante todo o ano, 43,7 mil litros do coagulante Policloreto de Alumínio (PAC). Em 2016, foram 37,8 mil litros, uma redução de 13,48%, embora a produção de água tenha aumentado. A quantidade do PAC está diretamente relacionada à qualidade da água in natura (do rio) que chega à estação de tratamento. “Isso se deve, sem dúvida, ao projeto Cultivando Água Limpa”.

Além de economizar em produtos químicos, a Sanepar não precisou mais paralisar a produção de água por causa da turbidez em dias de chuva, devido à melhoria da qualidade do rio. “Antes, qualquer chuvinha já arrastava uma grande quantidade de terra para o rio e elevava o índice de turbidez. Na estação, a água chegava tão enlameada que não dava para tratar”, diz o gerente da Sanepar em Apucarana, Luiz Carlos Jacovassi, que gerenciava a unidade de Ivaiporã quando foi implantado o projeto. A Sanepar produz hoje, diariamente, 7 milhões de litros de água, o mesmo volume que foi acrescido ao Pindaúva com as nascentes recuperadas. “Isso significa que, em períodos de estiagem, o volume do rio é suficiente para o abastecimento público”, afirma Jacovassi.

Para o secretário Jayme Ayres, com esse maior volume de água, a cidade torna-se mais atrativa para indústrias. “Estamos começando a construção de um parque industrial e a oferta de água é importante para a atividade econômica, além, é claro, de poder absorver um aumento de população”, avalia.

Agricultores satisfeitos – Em sua propriedade de 56 alqueires, o produtor Virgilino Hessmann já fez o trabalho de recuperação de oito nascentes, e ele afirma que existem outras cadastradas que vão passar pelo processo de recuperação. “Agora a água não tem mais nenhuma sujeira, ela chega mais limpa em casa. Aumentou também a quantidade da água”, conta.

O primeiro agricultor a aderir ao projeto, Valdir Soares Machado, dono de 2,5 alqueires, conta que não fazia ideia de que havia tanta água em sua propriedade. Já fez a recuperação de duas nascentes, que estavam soterradas, e ainda tem mais três a serem recuperadas. “Ver a água jorrar foi muito lindo. Antes, a gente demorava 10 minutos para encher uma garrafa de 2 litros. Agora, a água é incessante, abastece a minha casa e, quando meus parentes vêm aqui, eles levam água pra cidade. O poço agora é só para lavar roupa e para a criação”, conta.

O funcionário Márcio José Zanarda, que trabalha no Departamento de Meio Ambiente, é responsável pela fiscalização do projeto nas propriedades. Ele trabalhou em todas as propriedades para identificar as minas d’água. “Adoro este trabalho, pois consigo ver o benefício. Fico maravilhado, porque os resultados não são apenas para os produtores, mas para toda a população.”

Via Jornal Paraná Centro

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